O ano de 2013 começou faz um tempo. No Brasil, ele só realmente começa depois do carnaval, mas não tem razão para esperar tanto. Se janeiro foi um mês dedicado a colocar os projetos e as ideias em ordem, em fevereiro começa a ação. As mudanças vão muito além dos planejamentos da vida pessoal, acadêmica e profissional, são mais profundas. O pensamento, desconstruído, agora, aos poucos, começa a ser reconstruído. Com a desconstrução, as antigas postagens foram apagadas. Do antigo blog fica o nome e o pano de fundo, uma pequena amostra da minha biblioteca pessoal invertida. Inversão essa proposital, não apenas por estética.
A descontrução tem um motivo. A maior parte das pessoas vive suas singelas vidas no automático e, contanto que tenham comida na mesa e cerveja na geladeira, não há por que se interessar pelo que acontece no mundo. Nunca fui assim. A curiosidade natural me induzia a questionar e, acima de tudo, sempre defendi a liberdade. Sem estar sufocada pela rotina jurídica e imersa novamente nos estudos acadêmicos, a busca filosófica ressussitou, velhos questionamentos retornaram, e, com eles, aquela sensação incômoda de deslocamento. A impressão de que algo muito errado há com o mundo é antiga, as fontes de informação não são confiáveis, os dados reais são escassos, e as discussões acadêmicas são permeadas de falácias e ideologias travestidas de ciência. Mas é muito complicado saber (porque não interessa à imprensa divulgar) e mais ainda entender (porque exige também uma "disciplina de libertação") o que de fato se passa. A rotina de pesquisa e revisitação das velhas teorias me levou a buscar novas fontes que me motivaram a tentar suprir algumas defasagens de conhecimento, culpa minha na maior parte dos casos, já que algumas matérias dependem de um maior esforço intelectual para serem compreendidas do que outras.
O mundo está mudando em uma velocidade jamais experimentada antes. Mas não para melhor. Talvez depois de passada esta fase atual de crise completa e superado os estágios que prevejo na sua sequência, retomemos um rumo mais saudável no qual o significado de "liberdade" nos seja restituído. Por hora não. As próximas etapas apenas marcarão o fim de uma era e inaugurarão um pesadelo.
É muito dificil prever e descrever com exatidão que isso irá significar. Como tudo o que demorou séculos para ser construído está em crise, do sistema financeiro ao núcleo familiar, fica um pouco dificil advinhar qual irá "terminar de ruir primeiro", e o que virá antes: se a fome, se a guerra, ou se a tirania.
Para marcar o início desse futuro próximo (talvez não tanto quanto eu imagine mas com certeza não tão distante quanto os otimistas preveriam se deixassem de lado seu mundo fofo-cor-de-rosa), comento um filme, que retrata bem uma dessas possibilidades de futuro negro. Mais fácil comentar filmes do que livros, no nosso país iletrado, no qual poucas pessoas lêem, mas com certeza todo mundo vai ao cinema de vez em quando e assiste TV "de vez em sempre".
O Demolidor
"Los Angeles, 1996. John Spartan (Sylvester Stallone), um famoso policial conhecido como "O Demolidor", ao prender Simon Phoenix (Wesley Snipes), um psicopata, acaba sendo preso também, pois durante a operação trinta reféns civis morreram, apesar de não ter sido esta a intenção de Spartan. Ele é então injustamente condenado a ser criogenicamente congelado por setenta anos e, ironicamente, Phoenix está congelado da mesma forma. Após trinta e seis anos, Los Angeles se tornou San Angeles (após ter se unido a Santa Barbara e San Diego, em 2011) e o crime é nulo. Lenina Huxley (Sandra Bullock), uma policial que tem uma fascinação nostálgica pela cultura do século XX, acha tudo isto um tédio, mas esta monotonia logo acabará, pois ao se apresentar para a entrevista que concede condicional Phoenix foge dos grilhões que o prendiam, dizendo "Teddy Bear", o código que abria as algemas, e comete quatro assassinatos, incluindo Warden William Smithers, o diretor do presídio. Lenina então sugere que Spartan seja descongelado para capturar Phoenix. Inicialmente George Earle (Bob Gunton), o chefe do departamento de polícia, é contra, mas Zachary Lamb (Grand L. Bush), um veterano policial, dá um argumento irrefutável ao dizer que Phoenix é um criminoso à moda antiga e assim um tira do mesmo jeito é o ideal. Assim Spartan é libertado, mas ninguém poderia imaginar que o responsável pela fuga de Phoenix foi o criador do estilo de vida de San Angeles, Raymond Cocteau (NIgel Hawthorne), o "benevolente" prefeito-governador, que pensa em usar Phoenix para matar Edgar Friendly (Denis Leary), o líder dos rebeldes subterrâneos. Assim, é com relutância que Cocteau concorda que, mais uma vez Spartan cace seu antigo inimigo, mas algo deve ser feito rápido, pois até aquele momento Phoenix já tinha feito onze vítimas. Porém, mesmo assim, Cocteau crê que poderá controlar Phoenix." (extraído o site Adorocinema)
O "benevolente" prefeito-governador, cegamente adorado, não passa de um bandido tirano da pior espécie travestido de "salvador da humanidade", que, como todo tirano, declarado ou não, cobra um preço alto pelo "seus préstimos": controle. Controle total e absoluto. Resultado? Essa sociedade no futuro era (será) composta de uma massa de "bobocas ingênuos" (e politicamente corretos) que não sabiam (saberão) se defender do mal (armas só no museu), só comiam (comerão) o que era (será) permitido (vegetarianos militantes?), só ouviam (ouvirão) jingles babacas (nada de criatividade e músicas elaboradas), não podiam falar palavrão senão eram (serão) multados, "sexo" só por intermédio de máquinas (falta muito pra isso?), e a reprodução controlada (eugenia?), entre outras coisas que nos parecem bizarras e completamente infactíveis.
Não sei porque parecem bizarras... Em muitos momentos tenho a impressão sombria de que esse futuro já chegou. E que estou sendo otimista demais em pensar nele apenas como uma possibilidade que talvez eu nem venha a presenciar. Então eu páro, olho para as câmera a minha volta, para minha página do facebook (e todos os meus passos registrados), para meu histórico no navegador e os registros das minhas pesquisas no google, penso na patrulha ideológica, no emburrecimento programado da população, no desarmamento (e a proibição até de armas de brinquedo porque isso, claro, fez cidadãos extremamente violentos, como eu, que brincava de "polícia e ladrão" e hoje sou uma serial killer de... baratas), na ditadura do politicamente correto (ou histeria) e começo a procurar a tal maquininha de multar os palavrões. Imagino que daqui a pouco, como disse uma amiga minha, vão proibir o papel higiênico também, porque derruma árvores. Melhor começar a blasfemar - e alto. Quem sabe se eu xingar bastante eu também não faço meu estoque de papel como o Stallone fez no filme?
Nenhum comentário:
Postar um comentário